ESPECIAL MÊS DA MULHER: Michelli Bertoni

ESPECIAL MÊS DA MULHER: Michelli Bertoni e a experiência de ser mulher com Distrofia Muscular



Hoje é dia de conhecer a Michelli, 34 anos, Psicóloga e mulher com Distrofia Muscular Fácio-Escápulo-Umeral. Diagnosticada aos 7 anos, teve uma evolução "fora da curva" desse tipo de Distrofia, na parte física, andando muito mal dos 12 aos 16, precisando usar a cadeira de rodas aos 16 anos. “Usar a cadeira de rodas foi libertador, pois estava completamente limitada, era adolescente e estava perdendo todos os ‘rolês’ com os amigos”, conta Michelli.


Em 2005, ela iniciou o primeiro curso de graduação, Biomedicina, onde conheceu pessoas, fez amizades e teve experiências marcantes em sua vida.


Depois, ela começou a fazer teatro musical com um grupo chamado "Oficina dos Menestreis" e passou por um processo de autoconhecimento e empoderamento: “Passei a usar a cadeira de rodas motorizada para ter muito mais autonomia, assim podia ir aonde eu quisesse, pegava ônibus, metrô, trem, até viajei sozinha para o Rio de Janeiro”, relata ela.


Na vida profissional, ela descobriu que Biomedicina não era o seu real desejo, e foi então que se encantou pela Psicologia. “Comecei a graduação em 2009 e ‘respirava’ o curso, onde fiz dois estágios não obrigatórios, fui do diretório acadêmico e montei um grupo de estudos”, narra Michelli.


Em 2014 ela se formou e em 2015 se especializou em Psicologia da Reabilitação da pessoa com deficiência física pela AACD. Em 2016, iniciou a sua carreira em um hospital, onde está até hoje, atendendo pacientes e familiares na internação, UTI, atendendo colaboradores da instituição. “Faço parte da comissão de cuidados paliativos e de grupos de reflexão sobre a morte”, relata.


Durante a Pandemia, Michelli conheceu um grupo no Whatsapp chamado Vida e Distrofia e hoje ajuda administrar o grupo com mais 5 pessoas, criando projetos para ajudar pessoas que também estão de alguma forma experienciando a Distrofia, seja como pessoa com DM ou familiar, amigo, namorado(a). "Estar nesse grupo me fez enxergar outras formas de viver a experiência de ter Distrofia muscular. Nesse grupo compartilhamos histórias, experiências, temas, sempre com muito amor, respeito e no carinho por todos, sou muito grata por ter conhecido esse grupo, estou fazendo grandes amizades".


Neste mês de março, no Mês Internacional da Mulher, Michelli comemorou mais uma grande conquista: trabalhar com deficiência, algo pelo qual ela se apaixonou durante a sua especialização em 2015. “Sou a nova Psicóloga infantil na AACD Ibirapuera”, celebra ela.


Hoje, a distrofia muscular de Michelli está avançada e ela precisa de mais ajuda do que antigamente. “Ter Distrofia, que me coloca no lugar de pessoa com deficiência, não é barreira para eu continuar a minha carreira. Estar no meu corpo, vejo como uma experiência, um modo de vida e nunca me senti, em nenhum momento, uma pessoa doente” afirma.


Michelli é consciente das barreiras que enfrenta e o seu posicionamento sempre foi para ajudar a eliminar as barreiras de acessibilidade e atitudinais. E é o empoderamento que a leva a fazer planos e conquistar os seus sonhos.



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